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 Entrevista a João Costa Duarte

Joao Costa Duarte

João Costa Duarte

COSTA DUARTE – Corretor de Seguros, SA

www.costaduarte.pt


 

João Costa Duarte

 

Especial quem é quem nos seguros

1. Que balanço fazem da vossa atividade no último ano?

Fazemos um balanço positivo, na medida em que em termos globais a atividade do Grupo Costa Duarte gerou um volume de negócios de mais de 50.000.000 € de prémios de seguros em 2014, o que representa um crescimento de 7% relativamente ao exercício anterior. Para o cumprimento deste número é de destacar o contributo das operações em Angola e no Brasil.

2. O que mudou? Qual foi a estratégia seguida? Entraram em novos segmentos? Se sim, porquê?

Uma presença quase centenária no mercado é uma longa caminhada e requer uma evolução contínua para responder às necessidades e tendências do mercado. Com este pano de fundo, complementado com o pleno envolvimento da terceira e quarta geração da família Costa Duarte na administração da empresa e pela cada vez maior importância das parcerias internacionais que mantemos, entendemos fazer o rebranding da nossa identidade corporativa.
O novo logotipo inspirado na esfera armilar da bandeira portuguesa, em tons de azul e verde que representam a vida e a esperança, destaca as ligações internacionais que permitem servir os nossos Clientes em qualquer parte do mundo e representa o dinamismo e capacidade da Costa Duarte para encontrar soluções inovadoras.

3. Sentiram necessidade de adaptar produtos e serviços ao mercado e ao estilo de vida das pessoas, lançando produtos, por exemplo, adaptados a nichos de mercado específicos? Acham que essa é uma tendência do sector?

O mundo mudou a uma velocidade vertiginosa na última década e a Costa Duarte encara esta realidade como uma oportunidade para consolidar a presença no mercado, posicionando-se em diferentes áreas de negócio daquelas que tradicionalmente vinha atuando e dando especial atenção no acompanhamento das empresas portuguesas que se internacionalizam, seja através da presença direta em Angola e no Brasil, seja através das parcerias internacionais que mantemos com alguns dos principais Corretores de Seguros a nível mundial.
Os Clientes determinam as necessidades e desde 2004 que iniciámos o processo de internacionalização, primeiro no Brasil e posteriormente em Angola, os principais destinos para onde se tem dirigido o investimento português nos últimos anos. Estas operações estão devidamente consolidadas e Moçambique é um mercado onde gostaríamos de estar representados.
Mais do que uma tendência, a internacionalização é uma realidade incontornável.

4. Os portugueses estão a procurar mais seguros? De que tipo e com que objetivo?

O mercado Não Vida em Portugal tem vindo a registar, se a memória não me atraiçoa, um decréscimo pelo quinto ano consecutivo. Este fenómeno tem várias explicações, mas o que me parece claro é que o consumidor, tanto ao nível das empresas como das famílias, está cada vez mais atento e procura melhores níveis de proteção em especial nas áreas dos benefícios sociais, das responsabilidades e das linhas financeiras.
Naturalmente que ao partirem para novos mercados, a proteção aos expatriados ganhou uma relevância especial e, nesta matéria, existe hoje uma maior procura para os seguros de saúde, de acidentes pessoais, de vida, bem como o repatriamento sanitário em caso de acidente ou de doença.
Na área das responsabilidades, tanto os seguros para Administradores e Diretores, como a responsabilidade ambiental, são temas cada vez mais debatidos no setor empresarial.
Ao nível das linhas financeiras, existe uma preocupação crescente com o cyber-risk e o seguro de crédito tem-se revelado uma ferramenta para fazer a gestão do crédito a clientes.
Em todas estas áreas, tem-se assistido nos últimos anos ao lançamento de novos produtos bastante interessantes, na linha daquilo que melhor se faz no estrangeiro, sem nunca esquecer a importância do seguro obrigatório de Acidentes de Trabalho.

5. O sector segurador nacional está hoje mais aberto à concorrência? Como se tem isto demonstrado?

O mercado Não Vida continua a revelar-se altamente concorrencial, apesar dos dez principais Seguradores disporem de uma quota de mercado superior a oitenta por cento.
Por outro lado, fala-se em possíveis operações de fusão e aquisição que irão alterar o panorama e não me parece que, no curto prazo, se venha a verificar a entrada de novos players, pois num mercado pequeno e numa conjuntura económica não consolidada, o apetite é diminuto.
Quanto ao consumidor, a mensagem é clara, procura preço e serviço e quando não está satisfeito não hesita em mudar!

6. Quais os principais riscos que as empresas correm atualmente e porquê? De que forma as empresas podem evitá-los e mesmo superá-los?

Considero que existem duas formas de abordar o tema dos seguros, ou integrado numa política de gestão de riscos, ou tratando a sua compra como uma commodity.
Apesar da conjuntura económica desfavorável que se vem vivendo em Portugal, há empresários que estão cada vez mais atentos à importância da gestão de risco, identificando os que podem ser mitigados e os que são suscetíveis de ser transferidos através dum seguro.
Porém, temos vivido um longo ciclo de soft market que fez cair duma forma significativa os Prémios em termos gerais, potenciando uma abordagem focada unicamente no preço, desligada duma política de gestão de risco que necessariamente tem de existir.
O preço é, como todos sabemos, um argumento decisivo no momento da verdade, mas não nos podemos esquecer que o seguro é um produto com características próprias, que implica uma relação próxima entre o Cliente e o seu Corretor, mantendo o interesse do Segurador no risco assumido ao longo da vida da Apólice.

7. A internacionalização aumenta os riscos das empresas? Se sim, em que medida e quais?

Não direi que a internacionalização aumenta propriamente os riscos das empresas, direi que expõe as empresas duma forma diferente e isso implica necessariamente um maior cuidado na contratação e gestão das carteiras de seguros.
Como referi anteriormente, a principal preocupação é garantir uma adequada proteção aos expatriados, tendo particular importância em determinados países o repatriamento sanitário em caso de acidente ou de doença.
Diferentes geografias significa diferente legislação e os seguros no estrangeiro estão sujeitos a apertadas regras de compliance por parte das autoridades regulatórias, que implicam um conhecimento atento dos mercados locais.

Lisboa, 22 de Junho de 2015

João Costa Duarte

Diário Económico, Junho 2015.

 

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