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Globalização, Internacionalização e Emigração - uma equação com três variáveis

19-04-13Globalização, internacionalização e emigração são palavras que nos últimos anos fazem parte do nosso dia-a-dia, seja numa perspetiva empresarial ou familiar.

Sendo um processo com mais de 500 anos, a globalização teve um forte impulso nas últimas décadas, gerado pela dinâmica de alargamento dos mercados como forma de combater a saturação interna, criando uma aldeia global, ligando Governos, empresas e pessoas de diferentes nações.

O mundo dos seguros é um excelente exemplo de sucesso da globalização, desde a sua génese há mais de 300 anos no Café Lloyd’s, em Londres, onde foram subscritas as primeiras Apólices do Ramo Marítimo que davam cobertura às naus e às mercadorias que cruzavam os oceanos Atlântico e Índico, até aos dias de hoje onde complexas operações de seguro e de resseguro garantem a sustentabilidade de uma indústria que é incontornável para o desenvolvimento económico mundial.

Em anteriores artigos que tenho escrito neste jornal, tive oportunidade de realçar a solidez evidenciada pela indústria seguradora mundial, que apesar do aumento da frequência e da gravidade da sinistralidade dos riscos catastróficos um pouco por todo o mundo, tem satisfeito as suas obrigações, ou seja, proteger os Segurados quando os sinistros ocorrem.

Em matéria de internacionalização, na linha do que acontece em outros setores, a atividade seguradora portuguesa tem pouca expressão no estrangeiro, exceção feita às presenças efetivas nos países de expressão portuguesa de alguns Corretores e Seguradores nacionais envolvidos em projetos profissionais credíveis e prestando serviços de qualidade às empresas que se internacionalizam.

Por força da minha atividade profissional, mantenho contactos regulares com as principais praças europeias e, sem qualquer pudor, considero que existem Corretores de Seguros portugueses bem preparados, com organização e sistemas dentro das melhores práticas internacionais com que tenho lidado.

No que se refere aos Seguradores, também foram atingidos níveis de organização e competências notáveis em diversas áreas, como sejam nas plataformas dos seguros de saúde e de regularização de sinistros automóvel e de acidentes de trabalho, só para citar alguns. No entanto, foi pena que não tenha havido condições para promover um projeto estratégico que permitisse a afirmação e sustentação da Caixa Seguros como um player internacional, tudo apontando para que em breve venha a ser vendido a um operador estrangeiro.

Efetivamente, quando penso que na origem deste Grupo estão quatro Seguradores de qualidade, que tiveram a capacidade de formar muitos dos principais quadros que desde sempre serviram o mercado português, venhamos uma vez mais a perder um importante centro de competência e a deixar fugir as novas gerações para outras latitudes, com todas as consequências que daí decorrem.

Faço parte duma geração que teve o privilégio de não ter necessidade de começar a vida profissional no estrangeiro e, apesar de ser pai de dois jovens que em breve baterão à porta do mercado de trabalho, tenho em relação à emigração um sentimento agridoce na medida em que, por um lado, vejo o estrangeiro como um mercado de oportunidades, mas por outro, não deixa de ser confrangedor constatar a incapacidade do país em absorver potenciais talentos que as nossas universidades libertam anualmente.

Por esta aldeia global, são muitos e bons os exemplos de portugueses nas mais diversas áreas que se internacionalizaram ou que emigraram e cujo sucesso é sobejamente reconhecido, aquém e além-fronteiras. Também no mundo dos seguros, há Corretores e Seguradores com provas dadas, ao nível do melhor dos melhores. Há agora que dar-lhes mais trabalho, muito mais trabalho… pois ficarão positivamente surpreendidos!

João Costa Duarte
 Sexta-feira, 19 de Abril de 2013
 

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