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As Catástrofes Naturais

23-04-12Num artigo que escrevi em Abril de 2008 neste jornal sobre este mesmo tema, referia-me à tendência crescente da frequência e da gravidade dos sinistros de catástrofes naturais, um pouco por todo o mundo.

Passados quatro anos, esta tendência consolida-se e, de acordo com uma recente publicação da Swiss Re, os números são assustadores, se tivermos em conta que as catástrofes naturais em diferentes latitudes foram responsáveis pela morte de cerca de 570.000 pessoas e que representam mais 220 biliões de dólares de prejuízos seguros.

Na origem destes números estiveram, entre outros, os seguintes eventos:

    •    Os terramotos do Haiti (2010) e em Sichuan, na China (2008), bem como as tempestades no Golfo de Bengala, em Myanmar (2008), que vitimaram cerca de 450.000 pessoas;

    •    Os terramotos em Fukushima, no Japão (2011), na Nova Zelândia (2011) e no Chile (2010), o furacão Ike, no Golfo do México (2008) e as inundações na Tailândia (2011), que representaram mais de 80 biliões de dólares de prejuízos seguros.

Não deixa ainda de ser significativo o facto de 2011 representar para o sector segurador o segundo maior ano em termos de sinistros provocados por catástrofes naturais, apenas atrás de 2005 e do top ten dos maiores sinistros registar quatro eventos ocorridos entre 2008 e 2011.

Os sinistros de catástrofes naturais representam cerca de 78% dos prejuízos seguros entre 1970 e 2011, por contrapartida de 22% dos prejuízos seguros causados pela intervenção humana, onde se inclui o ataque terrorista de Setembro 2001, classificado como o quarto maior sinistro desde que há registos.

Apesar da conjuntura económica adversa e do aumento da frequência e gravidade da sinistralidade, é importante registar a robustez revelada pela indústria seguradora, a nível mundial, cujo papel tem sido determinante para garantir aos Segurados os meios financeiros necessários para promover a reconstrução e reposição dos bens sinistrados por tão devastadores eventos.

O CASO PORTUGUÊS

Portugal não está imune a estes eventos, sendo que, dentro das catástrofes naturais, o risco de fenómenos sísmicos é aquele que causa maior preocupação pelo potencial destrutivo, em especial, devido a uma proporção significativa de edifícios mais antigos, ainda que com níveis de risco distintos entre as várias regiões.

Perante esta exposição, é preocupante que ao nível das habitações a taxa de cobertura de fenómenos sísmicos seja inferior a 20% e que no seguro Automóvel, nem sempre seja contratada a cobertura facultativa de fenómenos da natureza.

Para além do risco sísmico, importa ter presente o flagelo dos incêndios florestais que periodicamente tem devastado a floresta portuguesa e, mais recentemente, a tempestade que atingiu a ilha da Madeira, que foi considerada uma das 50 maiores catástrofes naturais ocorridas em 2010 em todo o mundo, tendo vitimado 43 pessoas e tendo o mercado de seguros suportado indemnizações superiores a 135 milhões de Euros.

Por força da minha actividade profissional, acompanhei de perto o sinistro da Madeira e pude testemunhar que, de uma forma geral, os Seguradores responderam a este evento com o empenho esperado, alocando recursos extraordinários para permitir uma regularização tão rápida quanto possível dos prejuízos reclamados.

É este o comportamento que se espera dos Seguradores de, no momento do sinistro, não se refugiarem em expedientes para recusar o sinistro, mas encontrar uma única razão para o indemnizarem.

O sucesso de uma regularização equitativa de um sinistro, implica ainda que o Segurado, com o apoio do seu Corretor, declare inicialmente com exactidão todas as circunstâncias para a apreciação do risco pelo Segurador e proceda regularmente às alterações que se revelem necessárias, de modo a minimizar os problemas que inevitavelmente um sinistro sempre provoca.

João Costa Duarte, OJE+Seguro Edição Especial, Segunda-feira 23 de Abril de 2012

 
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