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Novos Desafios nos Seguros

18-06-09É uma realidade e uma realidade boa, a esperança média de vida ter vindo a aumentar em Portugal.

Não é um fenómeno exclusivo do nosso país mas significa que na idade normal de reforma, os portugueses terão pela frente, em média, uns 20 anos para viverem mais descansados e para se dedicarem a outras coisas. São tempos em que o rendimento é menor mas também o dia-a-dia menos exigente nas despesas pelo que, teoricamente, permitiria um orçamento familiar equilibrado.

Porém, nesta fase da vida, somos muitas vezes confrontados com crescentes gastos de saúde e nalguns casos com uma debilidade física que nos torna dependentes.

É também uma realidade e uma realidade boa a oferta de novos estabelecimentos hospitalares e de assistência vocacionados para estas idades, com elevadíssimos graus de qualidade e de dispersão no território.

Numa primeira linha e para além de visões ideológicas muitas vezes carregadas de inconsistente fundamentação económica, aparece o Estado a prestar e a suportar, em grande parte, os custos destes serviços. É um caminho indispensável que permite uma redistribuição do rendimento e um acesso “universal e gratuito” aos cuidados mínimos de saúde e de assistência. Contudo, há que reconhecer as limitações e as ineficiências desta via, sendo evidentes os sinais que nos são dados desde a introdução das taxas moderadoras, às listas de espera, ou ainda aos recentes cortes violentos nas expectativas com as pensões da Segurança Social.

Mas o que tem isto a ver com os seguros? Alguma coisa pois, como diz o Professor João César das Neves, não há almoços grátis, sendo necessário chamar cada um de nós à responsabilidade de financiar o seu complemento de reforma e o acesso aos serviços privados de saúde e assistência.

Neste processo que já não é de agora, a oferta diversificada da actividade seguradora apresenta soluções que se revelaram importantes contributos nesta via. Concretamente, estamos a falar dos Planos Poupança Reforma e nos Seguros de Saúde.

Neste contexto é de realçar que, apesar do enorme trambolhão dos mercados financeiros, os Planos de Poupança Reforma dos seguradores, nomeadamente os de rendimento garantido, não vacilaram e com maior ou menor dor, respeitaram integralmente os seus compromissos. Nem sempre a imagem dos seguros é muito positiva mas neste capítulo, tem sido exemplar. Não se trata de ginástica financeira de curto prazo, esticando as rentabilidades para níveis especulativos insustentáveis mas de adequar os activos de modo a permitir ultrapassar os ciclos desfavoráveis. Manter este perfil de estabilidade é o primeiro desafio da actividade seguradora. Seria recomendável que os Governos reconhecessem e incentivassem continuadamente este tipo de poupança, virado claramente para a reforma.

Também os Seguros de Saúde, cada vez mais popularizados, sejam os de grupo ou os individuais, suportando os elevados custos de internamentos hospitalares ou de outros actos clínicos, constituem mecanismos credíveis para manter equilibrado o orçamento familiar. Contudo, apresentam ainda uma enorme limitação para idades mais avançadas, digamos depois dos 65 ou 70 anos, pois as alternativas são escassas e os custos elevados. O segundo desafio da actividade seguradora, é criar produtos que permitam, na medida do possível, estabilizar as contribuições ou os prémios dos seguros de saúde ao longo da vida activa, deixando de ser acentuadamente crescentes com a idade.

O terceiro desafio, tem a ver com os seguros de dependência ainda inexistente no mercado nacional, mas com expressão relevante noutros países. São cada vez mais frequentes as situações de familiares que necessitam do apoio de terceiros para o desempenho das tarefas pessoais, seja de higiene, alimentação ou locomoção em casa ou, quando mais profundo, em estabelecimentos especializados. Os custos associados a estes serviços são necessariamente elevados e podem bater à porta de qualquer um de nós. Mais uma vez o orçamento familiar será posto à prova se não tivermos qualquer forma de poupança ou de seguro específico para este fim.

Também para estes desafios é necessário um aconselhamento profissional.

Miguel Costa Duarte, OJE, Quinta-feira 18 de Junho de 2009

 
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