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Seguros - Investir no Brasil

27-06-12A actividade seguradora portuguesa no seu todo não tem expressão no mercado brasileiro como, de um modo mais geral, em nenhuma outra parte do mundo. Tirando um ou outro caso pontual num ou noutro mercado, tanto os seguradores como os corretores portugueses não são referência no mercado mundial de seguros.

Este panorama não deixa os seguros portugueses numa posição muito diferente de uma parte do nosso tecido empresarial. Temos boas empresas, a prestar serviços de qualidade, com parâmetros de organização e equipas técnicas ao melhor nível dentro dos padrões internacionais mas viradas para o mercado interno. Estamos todos concentrados num dia-a-dia muito competitivo e exigente, sendo raras as estratégias conhecidas de internacionalização.

Nos seguradores, a dúvida do momento é o que vai acontecer com o líder do mercado português. Como país teremos condições ou ambição para aproveitar a dimensão e a especialização da Caixa Seguros para desenvolver um grupo segurador de referência, não digo internacional mas, como um primeiro passo, com presença em mercados como o Brasil e os PALOP? Temo que a pressão financeira a atire para ser retalhada aos bocados e adquirida por seguradores estrangeiros.

Nos corretores, há uma grande dispersão de operadores pelo que, para a maior parte deles, os movimentos de internacionalização requerem a concertação de esforços. No passado e também no presente, assistimos a alguns projectos com este enquadramento mas não é grande a tradição, a disciplina e a lealdade de comportamentos, necessários para se ganhar dimensão. São processos longos que requerem muito acompanhamento e absorvem significativos recursos financeiros.

Portugal tem um sector segurador bem regulamentado tanto ao nível da supervisão como da protecção do consumidor pelo que poderemos dizer que, neste caso, o Estado tem feito o seu trabalho de casa, cabendo agora aos operadores privados, assumir os riscos e pensar para além da fronteira.

O Brasil, com os seus cerca de 200 milhões consumidores, apresenta-se como um mercado atractivo para os Seguradores e Corretores portugueses, seja pela facilidade da língua, seja pela liberalização verificada nos últimos anos, seja ainda pelo potencial de crescimento. No entanto, há que ter presente que o mercado brasileiro é extremamente competitivo e exigente onde já estão presentes a maior parte dos grandes grupos seguradores multinacionais.

Precisamos em absoluto de ganhar excedentes sobre o exterior mas não creio que a actividade seguradora tenha feito tudo o que estaria ao seu alcance para dar o seu contributo. Talvez a necessidade aguce o engenho!

Miguel Costa Duarte, OJE, Investir do Brasil Edição Especial,
Quarta-feira, 27 de Junho de 2012

 
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